“ENERGIA, AGRICULTURA E MINERAÇÃO SÃO ALGUNS DOS PRINCIPAIS SETORES PARA A NOVA ECONOMIA”
Liliana Miranda
Diretora Executiva do Fórum de Cidades para a Vida do Perú
Este arquiteto, planejador urbano e ambientalista, é Coordenador de Pesquisa Sênior nas Cidades para a Vida Forum (FCPV) do Peru, uma organização que conta actualmente com 57 instituições: os governos locais, universidades, organizações sociais e associações empresariais de 20 cidades peruanas. Este grupo promove bairros de habitação social e eco-eficientes, e promove a inclusão das questões ambientais na agenda política nacional (alterações climáticas, uso da terra, etc.). Do Peru, trabalha como coordenador de projeto de investigação europeu "Chance2Sustain, Oportunidades para a Sustentabilidade das Cidades" programa que se concentra em dez cidades, com diferentes condições econômicas e políticas, quatro países líderes em aspectos do desenvolvimento urbano sustentável como a Índia, África do Sul, Brasil e Peru, com o objetivo principal de desenvolver um modelo de gestão participativa de "espaço" do conhecimento, para tratar de gestão urbana para o desenvolvimento sustentável. |
MODIFICAR A VISÃO IDEAL DO DESENVOLVIMENTO BASEADA NUM PADRÃO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E POPULACIONAL INFINITO – TAMBÉM CONHECIDO COMO NEOLIBERAL – POR UM MAIS RESPEITOSO COM O AMBIENTE, JUSTO, EQUITATIVO, CULTURAL E POLITICAMENTE RESPONSÁVEL. DEVERIA SER PRIORIDADE TAMBÉM CONSTRUIR UMA ECONOMIA FORTE QUE MINIMIZASSE A DEPENDÊNCIA DOS RECURSOS NATURAIS NÃO RENOVÁVEIS E PROMOVESSE SEUS SUBSTITUTOS, RACIONALIZANDO O USO DOS RECURSOS RENOVÁVEIS E RESPEITANDO A CAPACIDADE DE CARGA DA NATUREZA.
¿Quais setores econômicos a senhora considera mais importantes para construir uma economia verde que ajude no desenvolvimento sustentável do planeta?
Energia, agricultura, mineração e atividades extrativas social e ambientalmente responsáveis. É necessário proteger e conservar recursos naturais de países como Peru e Brasil. Bens ecológicos e paisagem natural também precisam ser protegidos para não padecerem, não se tornarem escassos, nem serem contaminados. A conservação das fontes de agua também é vital.
¿Qual o maior desafio das cidades hoje em dia?
São os desafios da mudança climática, especialmente a redução da vulnerabilidade da água e os desastres hidrometeorológicos. Isso significa crescer moderadamente, sem depredar, gerando infraestruturas ecológicas e eficientes para o uso dos recursos, a produção, uso e reúso de resíduos, e promovendo o desenvolvimento verde. Mais espaços na moradia para mais gente em cada uma e com mais espaço público verde.
Frente as previsões de crescimento populacional durante as próximas décadas, quais são as mudanças nos padrões necessários para que seja possível a redução da pegada ecológica dos países?
Manter uma pegada ecológica pequena com altos níveis de desenvolvimento solidário e mais justo, promovendo o consumo sustentável e a cultura da reciclagem e o reúso. Quais são os passos para a transição da “cidade da expansão ilimitada” para uma cidade adaptada aos “limites de biocapacidade global”? A mudança do paradigma de desenvolvimento no setor privado e da classe política com base em novas formas de produção, assim como a promoção de uma cidadania capaz de fazer prevalecer um consumo mais sustentável e responsável. Precisamos nos desenvolver considerando os desafios das mudanças climáticas.
¿Como se pode construir a mudança? Estamos realmente organizados social e politicamente?
Pelo exemplo individual, institucional e empresarial, pela disseminação de boas práticas ambientais entre consumidores, redes sociais, organizações e instituições políticas, e setor privado, fortalecendo as capacidades das organizações socioambientais para proteger tanto a qualidade ambiental na cidade como na natureza, assim como proteger e conservar a biocapacidade que as sustenta. São estas redes urbano-rurais que permitirão estruturar mecanismos de vigilância permanente de forma holística e integral e não fragmentada.






